E aí, NuCommunity!
Viajar, pra mim, sempre foi uma das melhores coisas da vida. A gente muda de ares, experimenta comida diferente, conhece gente nova… e, claro, acaba fazendo umas comprinhas no meio do caminho. 😅
Já que esse assunto sempre rende, vou focar nisso aqui, especialmente Paraguai que muita gente procura pelos preços mais baixos. Eu já fui várias vezes pra lá e, sendo bem sincero, no começo achava que era só chegar e sair comprando tudo sem me preocupar muito. Já vi gente passando um baita perrengue por não entender as regras, e foi aí que eu comecei a prestar atenção de verdade.
A primeira coisa que a gente precisa entender é como vai viajar, porque isso muda totalmente o quanto você pode trazer de compras. Se for de avião, você pode trazer até US$ 1.000 em mercadorias. Se for por terra (carro, ônibus ou até a pé), a cota cai pra US$ 500 por pessoa. Hoje, fazendo uma conta simples com o dólar turismo (não confunda com o dólar comercial!) por volta de R$ 5,05, isso dá mais ou menos R$ 5 mil no aéreo e R$ 2,5 mil no terrestre.
E aqui vai um ponto importante: passou da cota, tem imposto. Não tem muito mistério. O que passar do limite paga 50% de imposto. Exemplo simples: passou US$ 200? Vai pagar US$ 100 de imposto.
Sei que muita gente pensa “ah, dá pra passar sem declarar”… eu mesmo já pensei assim lá atrás. Mas, de verdade? Não vale o risco. A Receita Federal do Brasil hoje cruza muita informação. N ão é só olhar mala, eles analisam frequência de viagens, padrão de compra… ficou bem mais difícil “passar batido”. E quando dá problema, não é leve. Você pode pagar multa (que basicamente dobra o imposto), perder tudo que comprou e, em alguns casos, ainda responder por crime de descaminho. Já vi gente voltar de mãos vazias depois de gastar uma grana. É triste de ver.
Então, se eu puder te dar uma dica bem direta, de quem já aprendeu observando os outros: se passou da cota, declara e paga. Dói menos do que perder tudo.
Outra coisa que ajuda bastante é fazer a declaração antes, online, pela e-DBV (Declaração Eletrônica de Bens do Viajante), o jeito oficial de declarar compras que passaram da cota permitida. Conseguimos preencher tudo online, antecipar a declaração e resolver a parte dos impostos com muito menos burocracia e menos dor de cabeça na aduana. Eu, sinceramente, acho muito melhor fazer isso antes. Dá uma tranquilidade enorme na hora de passar pela fiscalização.
Ah, e só pra não esquecer: essa cota só pode ser usada a cada 30 dias e é pessoal e intransferível.
Vai comprar câmera, celular ou relógio? Então presta atenção nisso aqui porque essa parte costuma gerar bastante dúvida, e eu mesmo já me confundi no começo. A Receita normalmente considera um celular em uso como item pessoal. Agora, se você trouxer o celular lacrado, na caixa, ele entra normalmente na cota. Talvez seu novo Garmin, Apple watch, iPhone...já esteja por lá! rs
Além da cota em dólar, tem um detalhe que muita gente acaba esquecendo: a fiscalização também presta bastante atenção na quantidade de mercadorias. O objetivo é evitar situações que pareçam compra para revenda. No retorno aéreo, é permitido trazer até 20 produtos com valor abaixo de US$ 10, sendo no máximo 10 iguais. Já para mercadorias acima de US$ 10, continua valendo o limite total de 20 unidades, mas apenas 3 podem ser idênticas. Na viagem terrestre, a lógica é parecida: itens de até US$ 5 permitem até 20 unidades, com no máximo 10 repetidas. Acima desse valor, o limite cai para 10 peças no total, sendo somente 3 iguais. Eu sei que bate aquela tentação de aproveitar o preço e comprar “mais um pra garantir”, mas quando começa a ter muita coisa repetida, pode chamar atenção e gerar problema na fiscalização.
Passar pela alfândega da ponte costuma ser a parte mais tranquila. O problema são os outros pontos na estrada caso a volta seja via terrestre. Tem fiscalização em rodovia, posto... e se te pararem depois da fronteira sem comprovante do imposto pago, aí vai ser hora de sentar e chorar já que não haverá possibilidade de pagar taxas e multas, só perder a mercadoria. E aqui vai um comentário que parece óbvio, mas às vezes precisa ser dito: Nem pense em tentar “resolver” oferecendo dinheiro pro policial deixar passar. Além de não funcionar como muita gente imagina, isso ainda pode virar problema muito maior por tentativa de suborno. Melhor não transformar uma viagem de compras em caso de polícia.
Agora que a gente já entendeu bem a parte das cotas (que, na minha opinião, é o que mais evita dor de cabeça), bora pra parte prática: quanto custa ir saindo de São Paulo e qual faz mais sentido.
De avião, sem dúvida, é o mais rápido. Eu costumo usar os sites Skyscanner, ITA software e, claro, o NuViagens. Lembre-se de usar aba anônima para fazer sua pesquisa. Recentemente vi passagem São Paulo → Foz do Iguaçu por cerca de R$ 1.100 ida e volta no mês que vem, esse valor já com direito a despachar na volta a mala de até 23kg que você vai comprar lá, o que, convenhamos, é essencial nesse tipo de viagem hahaha. Coloca aí mais uns R$ 100 de Uber (ida e volta do aeroporto até a fronteira) e pronto. Mesmo contando tempo de aeroporto, em menos de 3 horas você chega. Pra mim, também passa mais sensação de segurança. Mas tem o lado chato: bagagem pode encarecer bastante se não estiver inclusa e a fiscalização na volta costuma ser mais rígida.
Já o ônibus entra no modo economia raiz hahah, Ida e volta em leito ou semi-leito costuma ficar por volta de R$ 620. A viagem saindo da Rodoviária do Tietê até Foz leva umas 16 horas. Alguns ônibus são bem confortáveis, com poltrona individual (ninguém do seu lado). Chegando lá, normalmente tem mototáxi perto da rodoviária que atravessa rapidinho pro Paraguai, coisa de 10 minutos por uns R$ 15. O lado bom na volta é o custo e a bagagem mais tranquila: até 30kg despachado, sem aquela conferência chata do conteúdo. Mas prestou atenção na duração? 16 horas de estrada cansam mais do que a gente imagina. Eu já fui pensando “vai ser de boa…” e no meio do caminho pensei: “por que eu não fui de avião?” 😂 Mas dá pra levar com série, filme, livro… vai da energia de cada um.
Agora, se você me perguntar meu jeito favorito, eu diria carro. Pra mim, muda completamente a experiência. Você vai no seu ritmo, para onde quiser, come no caminho, pode voltar mais cedo, ficar mais tempo, mudar rota, conversa, dá risada… a viagem vira parte do rolê. Claro, tem seus cuidados (cansaço na estrada, pedágio, combustível), mas ainda assim, pra mim, é o melhor equilíbrio entre custo, conforto e experiência. Pra ter uma ideia: ida e volta (tempo médio 12h cada trecho) dá cerca de 2.100 km no total, e normalmente fica entre R$ 250 - 300, dividindo gasolina e pedágios entre 4 ou 5 pessoas, o custo costuma ficar muito bom. Se for um carro elétrico, aí é mais barato e sucesso ainda!!!
Escolheu ir de carro? Vai uma dica que aprendi depois de algumas viagens: eu prefiro deixar o carro em estacionamento antes da fronteira e atravessar a Ponte da Amizade a pé. (uns 20min de caminhada). Porque atravessar de carro parece confortável… até chegar a hora de voltar. Dependendo do horário, você pode perder um tempão parado no trânsito.
Agora chegou a parte que todo mundo esperava: as compras!
Costumo olhar preços e definir exatamente onde vou comprar antes mesmo de sair de casa. O site que mais uso é o Compras Paraguai. Além de ajudar muito na comparação de preços, ele é tão conhecido que até a PF usa como referência em algumas fiscalizações. Ou seja: não sabe onde guardou a nota fiscal e foi parado? Existe chance de avaliarem seu produto pelo valor que aparece ali.
Outra coisa que eu aprendi na prática: monte uma rota de lojas antes. Isso economiza tempo, energia e evita cair em furada. Eu normalmente organizo as visitas da loja mais longe até a mais próxima da ponte. E tento comprar só em lojas conhecidas, que aparecem no site e já têm boa reputação. Isso economiza tempo, evita furada e ajuda MUITO a não cair em golpe. E falando nisso… nunca aceite ajuda de desconhecidos na rua. Sério!
Se alguém vier perguntando “o que você procura?”, “qual loja você quer?” ou “posso ajudar?”, agradeça e continua andando. Já percebi que muita gente tenta levar turista pra loja ruim, produto falso ou golpe. E existe um clássico que parece meme, mas acontece bastante: o golpe da meia. Os caras te oferecem meia, falam um preço rapidinho e, quando você percebe, estavam falando em dólar e não em real. Ou em guarani. A confusão é justamente parte do golpe.
Aaah, não vá entrando em rua aleatória porque apareceu uma “oferta imperdível”. Na maioria das vezes, não vale o risco. E olhe a previsão do tempo! As ruas de Ciudad del Este viram verdadeiras cachoeiras em dias de chuva!
E uma última dica que me fez economizar um bom dinheiro: os pre ços normalmente aparecem em dólar, mas muitas lojas aceitam real, guarani e o próprio roxinho. Só que cada loja usa a própria cotação. E muitas vezes ela é ruim. prefiro trocar a grana em casa de câmbio antes de começar a comprar. No final, essas pequenas diferenças de centavos ficam enormes.
Depois de tantas viagens, continuo achando que o Paraguai vale muito a pena. Dá pra economizar bastante e ainda transformar o passeio numa experiência bem divertida! Mas aprendi que os detalhes fazem toda diferença. Uma pesquisa antes, um pouco de planejamento e entender as regras já evitam praticamente todos os perrengues.
E aí… curtiram as dicas? Já estão fazendo as malas ou ainda bateu aquele medinho de atravessar a fronteira? hahaha
Se ficou qualquer dúvida, seja sobre lojas, transporte, cotas, produtos ou até roteiro, deixa aqui nos comentários que vou tentar ajudar da melhor forma possível. 💜