Meu rosto foi parar dentro do quadro "Operários", meu relato do Nubank Arte Lab

Ontem meu rosto foi parar dentro do quadro "Operários", da Tarsila do Amaral. E eu saí de lá pensando na vida. Deixa eu contar como foi.

Tive o prazer de participar da inauguração do Nubank Arte Lab, no Conjunto Nacional, na Paulista, com a exposição imersiva "O Brasil de Tarsila". E até agora tô digerindo o que senti lá dentro.

Não é uma exposição pra olhar de longe. A tecnologia, os sons e as luzes me colocaram dentro dos cenários, a riqueza de detalhes era tanta que, em vários momentos, eu quase sentia a confecção das obras, como se desse pra ver a mão que pintou aquilo.

Duas salas me pegaram de verdade.

A primeira foi a dos "Operários". Tinha um relógio de ponto de verdade, você bate o ponto, encaixa o rosto numa moldura, e ele aparece no meio do quadro, junto com todos aqueles trabalhadores. Ao mesmo tempo, o barulho da fábrica em funcionamento, as chaminés, a música ao fundo, me transportou pra dentro de uma fábrica.


E foi aí que veio o momento que não sai da minha cabeça. Quando meu rosto apareceu no meio daquela massa, primeiro eu ri. Depois travei, pensando na vida daquela gente, no trabalho suado e digno, nos rostos escondidos atrás das máquinas, que os tornam invisíveis, mas que são um batalhão de gente que, quando para tudo, fica visível. Quanto sacrifício pra construir, ao mesmo tempo, o que não é seu e o que de fato é, uma vida inteira de trabalho.

A outra foi a do Abaporu. Os pés e as pernas eram enormes, maiores do que eu, com uma pintura diferente, sol forte, cactos gigantes. E ali me veio o significado da palavra Abaporu, o "homem que come gente". A antropofagia deixou de ser legenda e virou coisa que se sente no corpo.


No fim, foi isso, a exposição não me mostrou a Tarsila, ela me colocou dentro dela. Entrei num evento sobre arte e saí pensando em trabalho, em invisibilidade e em pertencimento. Pra mim, é isso que arte boa faz.

Ainda tive a sorte de curtir tudo isso ao lado de alguns líderes da nossa Comunidade que estavam por lá. A noite ficou mais leve.


Fica a pergunta que trouxe comigo pra vocês, qual foi a última vez que uma obra de arte te fez parar e pensar na sua própria vida?

Porque foi exatamente isso que aconteceu comigo.

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08/14/2026